07 janeiro 2009

Como aquela mulher

Como aquela mulher
Eu vinha assim como quem não quer mais nada. Esperava o metro na volta pra casa depois de uma visita a minha irmã. Final de domingo, a gente fica querendo que a tarde se estenda e a segunda demore a chegar, penso em fazer um passeio ao ar livre quando chegar perto de casa, quem sabe assim acontece uma boa surpresa. Sim porque as chatices só na segunda. Mergulhada neste vai e vem e de vontades e fugas, embarco no trem quase lotado, fato incomum no final de domingo. Vejo um lugar livre, destes reservados para pessoas com necessidades especiais. Na minha malemolência, olhei para os lados para saber se havia alguém mais necessitada do que eu para o lugar naquele momento. Deduzi que não e sentei. De imediato a mulher que estava no banco do lado começou conversa comigo apoiando inteiramente meu gesto de ocupar um lugar reservado naquele momento. Quis me justificar e tão logo o trem parou na próxima estação uma senhora que acabara de embarcar me fez levantar e ceder o lugar. Trazia uma sacola com um vaso de plantas. Imediatamente a conversa que vinha tendo com a primeira mulher envolveu nova a passageira e continuamos viagem e assunto.

Dizia a primeira mulher que adorava plantas e tinha muitas em casa, mesmo podendo vê-las apenas nos finais de semana, os dias que podia retornar, pois morava longe e seu recurso era dormir no trabalho durante a semana.

Fiquei intrigada com o dizer da mulher que não era jovem, mas tinha uma vivacidade fora do comum apesar dos cabelos brancos presos em coque no alto da cabeça, vestida simplesmente com um porte e elegância despreocupados com a modernidade. Em determinado momento perguntei a mulher como podia estar trabalhando uma pessoa que ao meu ver já poderia estar simplesmente passeando. A resposta me deu foi outra pergunta:
- Qual idade você me dá filha ?
- Não sei, talvez sessenta e nove. Respondi.
- Quem dera, tenho oitenta e três anos. Falou a mulher.
- E a senhora ainda trabalha ? Perguntei agora mais interessada.
- Minha filha é o jeito. E olha que nenhuma mulher hoje em dia quer fazer meu trabalho. Eu cozinho e lavo roupas, e aos finais de semana, quando volto para casa, cuido das plantas e quando posso bordo uns paninhos de algodão que vendo para ganhar mais um dinheiro. Falou sobre a necessidade do trabalho sem nenhum ressentimento, orgulhosa até pelo poder de tirar o sustento no próprio trabalho em numa idade que sabe a grande maioria das pessoas desistiu de qualquer interesse pela vida.

Minha admiração pela mulher cresceu fiquei tomada por um sentimento de graça e inspiração. Se ela pode eu também posso chegar aos oitenta cheia de vida e vontade.

Afinal, quem duvida da força do feminino que mulheres como esta senhora são capazes de inspirar.

Depois de muitos rascunhos

Em dias de férias, a gente pretende descansar, parar tudo que estava em curso. Férias em época de festas então, parece que a gente vai de uma dimensão a outra num um estalar de dedos. Foi assim que me senti nestes últimos meses. A impressão que tenho é de que o mundo ficou volátil. Tudo ficou assim meio sem continuação. De repente eu me vi como quem assistia a um espetáculo qualquer e agora fosse obrigada a ser o autor, diretor, protagonista, figurinista, camareira, enfim a dona da estória.
Será por causa da crise ? Perplexa, procuro pares para minha leitura tentanto apenas assistir. Nada acontece, acho que só haverá espetáculo eu eu produzir a estória. Foi assim que escrevi vários rascunhos até agora sem publicação. Cheguei a ver o convite para participar do meme de 8 desejos. Tardiamente, me pus a buscar os desejos, finalmente consegui escrevê-los. Ai a tarefa final de convidar 8 blogueiros e manter viva a brincadeira. Cadê os blogueiros? Os conhecidos já tinham sido convidados e aí não sabia onde encontrar outros. Como posso ? Aguardo um socorro, alguem se habilita a ser meu convidado para a brincadeira do Meme de 8 desejos ?
Se sim, é só me avisar por um post.

05 janeiro 2009

Meme de 8 desejos



Fui convidada pela Claudia Finamore, do blog Desabafos e Reflexões, para participar de um meme que está rodando o mundo.
O que é um meme ? É tudo que se aprende por cópia a partir de uma outra pessoa. Nos blogs, a moda é a criação de memes específicos. Um blogueiro escreve sobre um determinado tema e convida outros para escreverem sobre o mesmo assunto. Então, vamos ao meme; este tem 3 partes:

Primeira parte - fazer uma lista com 8 desejos. Desejos são muitos, alguns secretos, universais, infinitos, egoístas, enquanto viver estarão a inquietar. Os de hoje são:

1. Trabalhar por amor e prazer, e não apenas por garantias de sustento material, compartilhando saberes, descobertas, reciclando, lendo, escrevendo, fazendo patchwork, pintando, vivendo das artes que quero descobrir e fazer.

2. No realizar do meu trabalho me transformar e se possível contribuir para que mais pessoas se transformem e vivam mais e melhor.

3. Ler e escrever muito;

4. Priorizar o tempo de convivência com os amigos, com a família, com as pessoas queridas;

5. Equilibrar os cuidados com o meu corpo, meus sentimentos e desejos, minha casa, minha rua, a cidade onde vivo, o mundo. Exercitar o cuidado.

6. Cada vez mais priorizar em minhas escolhas valores como a simplicidade, a honestidade, a coragem, a generosidade, a harmonia, o autoconhecimento.

7. Saber viver cada fase da minha vida procurando realizar os desejos 1,2,3,4,5,6, e aceitar as perdas e ganhos que virão, sem amargura e sim com sabedoria e serenidade.

8. Que cada vez mais pessoas descubram que o o mundo pode ser um lugar delicioso de se estar, descobrindo o que pode fazer para que haja menos fome, menos guerra, menos cobiça e mais muito mais generosidade, conhecimento, alegria, troca de saberes fazendo e vivendo muitas estórias.

Segunda parte - convidar 8 blogueiros para continuar a brincadeira, comunicando-os por posts em seus blogs. Esta parte eu suspendi na brincadeira, por enquanto. Os blogueiros estão ai, aos milhares só que ainda não os conheço para tomar a liberdade de fazer o convite. Conhecê-los taí mais um desejo.

Terceira parte - Comentar no blog que me convidou (já comentei), e orientar os convidados a publicarem o selinho da brincadeira, que está aqui no alto (vai acontecer).

29 dezembro 2008

Um pedaço de mim

As voltas que o mundo dá

não conta as histórias que há

bem longe de minhas falas

silêncio de muitas almas

todas querendo falar

Origens despedaçadas...

por vezes desconhecidas

a procura de novos laços

pra velhos desembaraços



Exercicio de aula - primeira poesia Um pedaço de mim em 18.06.2008

01 dezembro 2008

Praça da República

Quem não conhece a praça da República em São Paulo ? Penso que quase todo morador da cidade já esteve lá alguma vez.. Eu, uma autêntica "rata de feiras de artesanato" não consigo ficar sem dar uma passadinha pela praça, pelo menos um domingo a cada mês.

Ultimamente, parece que a praça NÃO consegue reeditar o"glamour" histórico que teve nos anos 70. Por outro lado, por tradição, ou teimosia, continua impregnada de histórias que , valentemente são expressas pelos artesãos que todos os domingos expõe seus produtos, ou de outros , pois a autencidade mudou de ares, e até um certo ar de "camelodromo" está presente , incorporada no lugar.

E destas histórias que o Juliuz, um dos artistas guardiões do espírito histórico e social da praça e porque não dizer da cidade também conta para quem quiser parar e ouvir. Apreciar seu trabalho, e ter um "um dedinho de prosa " sobre qualquer assunto com o Julioz é no mínimo uma experiência provocadora e cheia de surpresas.

Não só o Julioz, cada pessoa que alí está, como exemplo, o jornaleiro, tem muitos "causos" pra contar e fazer a gente conhecer um pouquinho mais de perto esta cidade tão fabulosa que é São Paulo.

07 novembro 2008

Um cavaleiro garboso..

Num tempo quase presente, que não é hoje e nem antes. É um tempo assim sem data, com espírito de justiça no ar e muita maldade querendo chegar.
Existe neste tempo, um castelo nas matas, lá dentro do Mato Grosso. Vive ai um cavaleiro altivo de fala macia, cheio de cortesias, presença tranquila mas de alma inquieta. Tem um pé que vive nas matas, perto dos rios, dos peixes e pássaros bem juntinho da sua amada, com quem compartilha caminhos, angústias e desejos da alma cheia de amor. Este infante garboso, vive a alegria de escrever. Ele escreve para viver, fala dos pássaros que lhe emprestam o espírito voador para um mergulho rasante sobre a terra esfarelada. Ama sua terra e sua gente, mas tem cá na cidade grande, outro ofício diletante. Nosso infante aqui é daqueles que por vontade maior não se aquieta com as injustiças do mundo. Por causas da terra que também ama, ele estuda e é doutor.
Pra nao causar polêmicas, sua escrita maior vem na forma de poesia, porque assim acredita pode bradar sobre as dores que lhe gritam na alma.
Sua escrita não tem um ponto final, quando escreve, e se coloca, parece ter por dentro um ebulir de idéias que não pode conter para si. E as vezes surpresa, vem numa bicicleta estudar, mostrar que sabe das coisas boas e simples da vida. De idéias particulares, parece toca viola, não sei, daquelas que a gente ouve e chora tamanha a emoção. Ah este cavaleiro escritor, amante da natureza, parece que aos bichos não tem uma preferência, ama mais os peixes, os passáros, as gibóias, quero-quero, socó e bem-te-vi, trinca-ferro, petrim e pajéu, tico-tico, o anu e siriri, também voa com velho tuiuiú, às margens do fecundo Pantanal. Parece pra mim que sou ele tamanha sua paixão, quem sabe sou dentro de mim, pouquinho dele também.
(este texto foi feito cumprindo o desafio lançado pela Olga, maravilhosa escritora, do Curso de Formação de Escritores da ESDC. O desafio era "roubar a alma" de uma pessoa que nós duas conhecemos, e a partir deste roubo de alma, escrever um texto incorporando sua essência. No texto era obrigatória a presença de um animal Por causa da alma roubalda, um animal não foi possível , precisei de vários. Olga espero ter cumprido o desafio, e agradeço a honra de ter sido escolhida. A alma do meu obsediado, agradeço a inspiração e peço me perdoe se não o apreendi completamente.)

Menino não faz arte !


Quando a casa ficava por mais de meia hora em silêncio., a mãe logo se fazia de plantão, atenta aos sinais daqueles momentos. O que estaria acontendo? Onde foram parar aqueles moleques?
Humm !!! devem estar no quintal. Qual nada ! Onde foram parar?
Não demorou muito, ouviu as gargalhadas vindas do quarto das crianças. Tentou se conter apesar da vontade de ver o que estava se passando, as gargalhadas continuavam e incontrolável a curiosidade de saber o que os divertia daquele jeito.
Esperou, afinal não queria ser surpreendida pelas crianças numa atitude infantil ao ceder a seu impulso de 'xeretice" . Ah, mas se estiverem fazendo arte ? Como saber ?
Os risos continuavam no quarto, e a mãe se inquietava, acho melhor ir ver.
De repente, se conteve, resolveu voltar atrás, e considerou que agora era preciso esperar. Deixar brincar e fazer arte as crianças. Seria agora ou nunca. Ou então quem sabe um dia, depois de muitos anos depois....Nunca mais !

Tecendo em Palavras

Origem: a de muitos brasileiros; Destino: o que eu conseguir conquistar dentro de mim !